AMOR E SUPERAÇÃO NO CURSO DE XADREZ NA CASA DAS ARTES

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A Casa das Artes – Unidade Centro está funcionando desde março de 2014 e desde então, os mais de 21 cursos oferecidos pela instituição, todos gratuitos, estão mudando a vida dos itabunenses e dos cidadãos da região. O xadrez é um dos cursos que vem ganhando um bonito destaque, não somente pelo jogo, mas pela história de superação e experiência que o professor Ailton José da Silva tem levado para sala de aula. Em uma conversa sobre o seu percurso pessoal e profissional, Ailton conta: “Estou aqui realizando um sonho!”. Com 44 anos e com deficiências físicas, ele fala de como vê suas limitações e o motivo pelo qual escolheu o xadrez como atividade profissional e destaca a importância da Casa das Artes nessa realização.

“Aprendi a jogar xadrez com cinco anos de idade, e passei a minha adolescência jogando, inclusive profissionalmente. O xadrez é encantador. Além de exercitar a memória e o raciocínio, ele trabalha o comportamento. É básico no xadrez saber ganhar, perder, aprender a respeitar o adversário, no xadrez é impossível trapacear. E isso não é nada forçado, eu não os doutrino, eles aprendem, e quando eu vejo já está pronto, eles estão prontos”, explica o professor.

O professor Ailton fundamenta que o xadrez existe há 1400 anos, e desde então, o ser humano vem aperfeiçoando essa forma lúdica de brincar. Ao mesmo tempo, o xadrez ajuda a mente humana de forma a acelerar a memória, o raciocínio e as capacidades cognitivas. E acrescenta dizendo, que o xadrez no Brasil nunca foi bem difundido, enquanto em alguns países, como França e Holanda, o xadrez é obrigatório nas escolas. E salienta: “Esse passo que estamos dando na Casa das Artes é um passo enorme, talvez dezenas de anos que estamos avançando na nossa educação”.

O curso de Xadrez e a história do professor Ailton inspiram também a superação dos alunos. Há um aluno que chegou na Casa das Artes, acompanhado pela mãe, com o desejo de fazer algum curso que ocupasse o seu tempo e o ajudasse na sua melhora e desenvolvimento. A mãe relatou que, por conta de um acidente, o seu filho havia desenvolvido um sério problema de concentração. A Casa das Artes então indicou o xadrez. E ele foi! Na verdade é o primeiro da turma a chegar, sempre pontualmente. “No começo, ele entrava na sala, e após alguns breves minutos já estava ele rondando a Casa inteira, sem conseguir se concentrar. Pacientemente, eu o respeitei e o deixei livre para procurar outros cursos na Casa, e voltar para a aula de Xadrez quando sentisse vontade. Até que um dia ele jogou duas horas seguidas com a maior satisfação e quando chegou ao fim, perguntou: “é só isso professor?”, complementa Ailton com um sorriso.

Professor Ailton ensina o xadrez aos seus alunos Foto Rava MidlejProfessor Ailton ensina o xadrez aos seus alunos- Foto Rava Midlej

O professor explica ainda, que tem casos de mães que o procuram durante as aulas para relatarem que os seus filhos estão melhorando em matemática, até no próprio comportamento e concentração. “Uma chegou a disparar que estava gostando das aulas porque eu estava servindo de exemplo para eles”, conta entusiasmado.

Ailton fala ainda dos problemas, das dificuldades enfrentadas e suas limitações. É quando ele respira forte e responde: “Todos nós temos problemas, alguns mentais, outros físicos, financeiros, mas o maior deles é você criar limites. Eu procurei sempre não criar os meus limites, querer fazer e me propor a fazer, eu quero fazer, eu posso fazer. E aqui na Casa das Artes estou realizando um sonho”, finaliza o professor.

Texto e Fotos: Rava Midlej.

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