História e Estórias do Bairro de Fátima

É interessante, e até estranho, como transitamos pelas ruas do nosso bairro e não temos noção das histórias lindas e marcantes que homens e mulheres comuns carregam enquanto esperam pelo ônibus, olham os que passam pela janela ou ficam por horas sentados na porta de casa para sentir a vida correr. Foi assim que conheci João Barbosa, um sergipano aposentado de 72 anos, que reside no bairro de Fátima há quase 30.

O encontro

Eu procurava por um morador antigo, alguém que pudesse contar as remotas riquezas que constituem a base de um dos principais bairros de Itabuna. João estava sentado em frente a sua casa, descansando das viagens que costuma fazer. Muito simpático e comunicativo iniciou uma conversa, após a minha busca por uma informação, que nos levou a raízes profundas. João Barbosa, natural de Cristinápolis, Sergipe, veio para a Bahia por causa de um desencontro amoroso. Desde quando chegou à região morou em várias localidades, mas foi no bairro de Fátima que viveu os momentos mais felizes. Apesar de algumas mudanças bruscas, ele conta que não escolheria outro lugar para viver.

No entanto, embora tão importante quanto, João Barbosa foi apenas o elo para encontrar aquele que ele denominou de o “dono do bairro”. A busca então começou a ficar muito mais interessante. Eu estava prestes a conhecer um dos fundadores do bairro de Fátima. Gente simples, quase despercebida pela correria da vida, mas que encanta quem ouve os relatos de uma história que se confunde com sua própria vida. João Miranda, homem raro de 80 anos, era quem eu precisava encontrar para descobrir o rico passado dessa localidade.

Origem

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João Miranda é filho de Francisco Alves de Oliveira, um sergipano, que tinha o ideal de transformar uma de suas fazendas em uma cidade. Para isso, Francisco Alves iniciou seu projeto contratando um engenheiro para traçar as ruas. Aos poucos o que era pasto cedeu espaço para as primeiras casas.

João Miranda conta que o pai adquiriu a fazenda Santa Terezinha e começou a arrendar os lotes no intuito de ver a área totalmente urbanizada. Ele lembra que quando arrendava para pessoas mais pobres ajudava a construir as casas. Por ser um homem muito católico, Francisco Alves fez questão que todas as ruas recebessem nomes de homens santos da Bíblia.

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Francisco Alves

De origem pobre, Sr. Francisco casou-se com uma baiana, com quem teve dez filhos. Tempos depois tornou-se dono da conhecida Casa Estela, uma loja de tecidos, onde formou um grande patrimônio. Posteriormente, por causa das dívidas, precisou vender a casa comercial e passou a trabalhar como caixa da loja que fora proprietário. João Miranda relata que o pai confiava muito nas pessoas e, por isso, não percebeu que estava sendo roubado pelo gerente.

Sentimento

João Miranda não concluiu os estudos porque queria ajudar Sr. Francisco Alves na administração das fazendas. Tinha o sonho de ser cacauicultor. Hoje, casado, com filhos e netos, se emociona ao falar do pai como um herói. Mesmo viajando para diversos lugares do mundo, ele se diz orgulhoso por morar no bairro de Fátima e fazer parte de sua história.

João Batista, amigo e braço direito de João Miranda, nos levou para a origem de um bairro que cresce a cada dia e reforça a sua história com novos e tão importantes personagens.

Por: Aracelly Romão

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