Itabuna declara guerra contra o aedes aegypti mobilizando a população

Começa neste sábado (18) nos bairros Carlos Silva – que tem uma infestação predial de 60% nos 1.224 imóveis cadastrados-, Fonseca (40%) e Novo Fonseca (34%), os mutirões promovidos pela Secretaria Municipal da Saúde com a mobilização de todos os setores do governo e da comunidade itabunense para uma verdadeira guerra ao mosquito aedes aegypti. A campanha foi considerada pelo prefeito Fernando Gomes como uma prioridade de governo e visa ampliar o combate ao principal vetor de transmissão da dengue – uma doença que pode matar -; da zika – que provoca microcefalia em bebês – e da chikungunya – que causa dores nas articulações e nos ossos das vítimas.
O Projeto Itabuna sem Aedes Aegypti se inicia com a participação de todas as secretarias municipais e deverá chegar a todos os bairros com um trabalho educativo junto à população e a realização de um grande faxinaço. A ação leva em conta que o Ministério da Saúde estabelece como limite de segurança o índice de infestação predial de 1% e Itabuna registra uma incidência média de 24%, o que representa o risco de um surto epidêmico como o que ocorreu no ano passado. O governo municipal também acaba de anunciar a aquisição de cinco carros do tipo fumacê, os quais entrarão em operação ainda nos próximos dias, ampliando o combate ao mosquito, que também é agente transmissor da febre amarela.

Ações
O secretário da Saúde, Vitor Lavinsky, ressalta a importância do projeto que tem como foco a interdisciplinaridade das ações, com a participação de todas as secretarias, juntamente com a Emasa, Hospital de Base e a FICC. As ações começam, agora nos bairros Carlos Silva/ Andaraí, Fonseca e Nova Fonseca, que tem o mais elevado índice de infestação predial de 60% e vão abranger na sua primeira etapa aos 18 bairros com maior índice de infestação e que totalizam 44.410 imóveis, mas a ação será estendida a todos as bairros e loteamentos da cidade.
Ele observa que a responsabilidade do combate envolve todos os setores do governo através de ações que visam a eficientização da coleta de lixo, abastecimento de água, limpeza urbana, o que tem sido intensificado no atual governo e das atenções de promoção da saúde, bem como passa pela mobilização do conjunto da população, que deve ter participação ativa e precisa se sensibilizada para o processo.

Situação
Cabe salientar que a dengue é um dos principais problemas de saúde pública no mundo, e a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que ela ocorra em 100 países e se espalha por quatro continentes, com exceção da Europa, afetando anualmente a 80 milhões de pessoas. O problema também tem afetado duramente à população itabunense que tem convivido com diversas epidemias ao longo dos últimos anos de dengue, zika e chykungunya.
O diretor do departamento de Vigilância à Saúde, Lucas Santana considera que as perspectivas atuais para Itabuna não são boas em função do elevado índice de infestação predial e apontam para o risco de surto epidêmico de grandes proporções se nada for realizado. Por isso mesmo, ele considera o projeto como uma prioridade através de um conjunto de ações que visam reduzir a proliferação do Aedes Aegypti e assim, diminuir a incidência das arboviroses transmitidas por esse vetor.

Estratégia
Como estratégia de combate, ele defendeu a promoção de ações sociais com a mobilização da população e do governo em mutirões, caminhadas, palestras, faxinaços e panfletagens, com a finalidade de produzir mudanças no comportamento da comunidade, uma vez que a erradicação do mosquito é uma tarefa quase impossível em função de fatores climáticos, além de costumes sociais e hábitos que favorecem a sua reprodução e consequente proliferação.
Santana destacou ainda a importância do uso dos carros fumacê como uma estratégia complementar à luta para combate ao aedes aegypti, que deve ser associada a ações de comunicação de massa para que a população altere seu comportamento e mantenha seus domicílios preservados da infestação do mosquito transmissor da zika, dengue e chikungunya.

Objetivos

Como objetivo geral do projeto, ele salienta que o conjunto das atividades realizadas visam não apenas reduzir os níveis de densidade do aedes aegypti, mas também manter a população em alerta em suas residências – onde ocorre o maior índice de infestação do mosquito – e comunidade para a remoção dos possíveis focos, evitando o risco de uma nova epidemia.
Santana aponta entre os objetivos específicos a criação de estratégias de massa que gerem impacto e apoio dos recursos, por parte da mídia disponível e apoio da Diretoria de Comunicação Social. As ações incluem ainda a participação da comunidade e seus representantes como mobilizadores e mesmo patrocinadores da saúde, além da formação de parcerias para ampliar o controle do mosquito.

Ações
Com base nos dados do Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa) de fevereiro deste ano foram listados os bairros com maior infestação do mosquito para ações como mutirão de limpeza e sensibilização da comunidade, com destaques para:

BAIRRO ___ Índice de Infestação %
Carlos Silva 60%
Jardim Primavera 41,66%
Fonseca 40,00%
Novo Horizonte 38,09%
Novo Fonseca 34, 78%
Zizo 34,78%
Ferradas 34,48%
Sarinha 34,04%
Antique 33,33%
Conceição 32,95%

Em paralelo a esta ação, o setor de limpeza publica vai atuar na limpeza do bairro selecionado, juntamente com a equipe de roçagem, eliminando assim os prováveis criadouros. Uma equipe educativa também vai atuar nas comunidades realizando panfletagem e ações de conscientização da população, enquanto as equipes de campo estiverem atuando no tratamento dos reservatórios e removendo fontes de reprodução do mosquito.

O que é o LIRAa
Mapeamento rápido dos índices de infestação por Aedes aegypti.
Critérios:
1. Capitais e municípios de regiões metropolitanas
2. Municípios com mais de 100 mil habitantes
3. Municípios com grande fluxo de turistas e de fronteira

Vantagens:
Identifica os criadouros predominantes e a situação de infestação do município. Permite o direcionamento das ações de controle para as áreas mais críticas.
Como é feito: O município é dividido em grupos de 9 mil a 12 mil imóveis com características semelhantes. Em cada grupo, também chamado estrato, são pesquisados 450 imóveis.
Os estratos com índices de infestação predial:
1. Inferiores a 1%: estão em condições satisfatórias
3. De 1% a 3,9%: estão em situação de alerta
4. Superior a 4%: há risco de surto de dengue.

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