Itabuna é música: Bahia que tem dendê

Por Rômulo Macêdo

Itabuna é uma cidade na qual observamos atualmente ampla efervescência musical, visto que tem sido palco de diversos shows e eventos musicais.

No mês passado, às vésperas de um feriado local houve quatro shows simultaneamente, conforme descrito em texto anterior. Na semana passada, numa mesma sexta-feira (25/4/2014), houve seis shows simultaneamente, a saber, Amanda Chaves, a cantora itabunense que participou do The Voice Brasil, fez apresentação no Espaço Aberto; Will Canalonga no Black Jack (rock), Som das Ondas (reggae) e The Keys (rock) – bandas com as quais trabalho – no Bar da Tia, Rilson Dantas (rock) no Boliche, Kércia Vicente (forró) na AABB, e Estakazero na Gávea, além de outras apresentações musicais simultâneas em outros locais da cidade que oferecem música ao vivo, como Sabor do Mar, Boteco Gaúcho, Lula’s Bar, Farol Gastrobar, Experimenta Bar, O Brasão, entre muitos outros locais da cidade. Tal efervescência é considerável para uma cidade de 220 mil habitantes…

Na quarta-feira que precedeu o feriado, o Bar da Tia recebeu um grande público para o show do Pastilhas Coloridas, e na quinta-feira, dia 1 de maio, dia do trabalhador, na Usemi, foi realizado o show do consagrado guitarrista de guitarra baiana Armandinho. O evento foi organizado pela CTB e contou com as participações das bandas Pastilhas Coloridas e Lordão.

O show foi aberto pelo Pastilhas, que é uma banda local que vem fazendo um trabalho bem interessante, além de contar com o carisma do público. A apreciação foi positiva da parte dos que curtiram o show.

Em seguida veio o Lordão, uma banda regional consagrada, que, inclusive, foi citada como referência de banda de baile por Ivete Sangalo em programa de visibilidade nacional na Globo. A apresentação do Lordão precedeu a de Armandinho.

O show de Armandinho foi inesquecível. É raro ver um show no qual em meio a um conjunto no qual existe um vocalista e música vocal, um instrumentista ser a estrela central. Tamanho é o talento extraordinário de Armandinho, sem dúvida, um gênio da guitarra baiana. Na banda, além dele, outro guitarrista tocando guitarra baiana e ainda outro com guitarra tradicional, ou seja três guitarras, além de percussão, bateria, teclados, etc.

A guitarra de Armandinho em nada fica abaixo do nível dos maiores expoentes da guitarra internacional, e o que é mais interessante em seu trabalho é seu estilo e pegada originais. Eis aí um exemplo de que é possível a conciliação entre determinados elementos do rock com a música baiana. Música baiana, todavia, de raiz, e de qualidade composicional inquestionável. No show pudemos ter uma mostra de “heavy metal baiano”, rsrs… Se Raul conciliou Elvis e Luiz Gonzaga em sua música, porque não? Rsrs

O nível técnico guitarrístico de Armandinho é impressionante, e se a crítica e imprensa internacionais não o reconhecem com a constância que lhe seria justa, indubitavelmente, há outras motivações que não a análise imparcial de seu trabalho instrumental…

O repertório trouxe o melhor das composições tradicionais da Bahia no período áureo dos antigos carnavais, além de interpretações como a do guitarrista Santana, o que levou o público ao delírio. Essa é uma prova inconteste de que é possível selecionar artistas e atrações que agradam o público com música de qualidade, sem necessariamente incorrer nas composições de baixaria presentes muitas vezes no cenário atual da música baiana. A escolha da organização do evento foi muito feliz…

Na sequência, no outro dia, na sexta-feira, novamente na Usemi, foi realizado um evento de Forró tradicional, o Forró do Papa Jaca, com a participação do trio de Dió de Araújo, músico que acompanhou com a zabumba o Mestre Dominguinhos, alémd a participação de Luizinho Luz.

No sábado, novamente The Keys no Black Jack, fazendo um set de rock que incluiu música autoral nacional e internacional.

Na sexta seguinte, no Bar da Tia, o Sexta Bass, com participação de Rans Spectro, Victor Negão, Mamute Projecto e Trabalhador Dub. O Bar da Tia, na praça do Banco do Brasil, tem se tornado referência em eventos nessa linha, contando sempre com um público expressivo e diversidade cultural.

No sábado, no Grapiúna Tênis Clube, show com Mendigos Blues e The Honkers, tudo isso (além de outros eventos musicais não mencionados aqui) aconteceu no intervalo de apenas alguns dias na cidade de Itabuna, razão pela qual o município merece atenção especial não apenas da gestão pública da cultura local, mas da secretaria de cultura do estado e também do próprio ministério da cultura.

Portanto, que a inspiração flua em todos os músicos e que a cena musical de Itabuna prossiga nesse ritmo! Jah bless!

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