Lourival Pereira Júnior (Piligra): poeta contemporâneo, ilustre morador do BF

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Mestre em Filosofia pela Universidade Federal da Paraíba (2005). Atualmente, professor assistente da Universidade Estadual de Santa Cruz, com experiência na área de Filosofia, com ênfase em Metafísica e Estética, atuando principalmente nos temas: Verdade, Criação estética, Fundamento, Arte poética, Tragédia grega e Hermenêutica.
Um poeta do meio do povo, de coisas do povo, em defesa do uso da língua, do jeito que o povo gosta. Lourival Pereira Júnior, Piligra, como prefere ser chamado, foi “cuspido para o mundo”, em Itabuna e na mesma cidade, “nascido” para o universo poético da região cacaueira, ainda que não se “enquadre” no lugar de poeta regional, já que sua poética tem caráter universal e não cante os feitos da sua região.
“Eclético por excelência e revolucionário por natureza”, conforme ele diz de si mesmo, o poeta canta em seus versos a sua irreverência, os seus questionamentos e a sua crença de que “é possível ser uma pessoa ao invés de ser um objeto de manipulação nas mãos dos deuses deste mundo”. Homem, professor, poeta; ritmo, verso, harmonia; palavra, linguagem, poema; forma, ritmo, metáfora. Partindo desses tripés lingüísticos, o poeta fala de si mesmo, de poema, poesia, língua e linguagem.
Em Piligra, poesia é de fato, “experiência, sentimento, emoção, intuição, pensamento não-dirigido”… (PAZ, 1982, p.15). Logo, é lugar de liberdade. O único “lugar” onde a Língua Portuguesa permite todos os usos de recursos lingüísticos sem sinalizar “pecados”, incoerências, feiúras. Essa língua, o poeta considera como uma guia amiga e cúmplice. Cúmplice da sua vontade de dizer “livremente” palavras-coisas que dão forma à sua poesia através dos seus poemas.
No trabalho poético piligriano, a marca da pós-modernidade é configurada pela co-presença de todos os estilos numa produção que contempla tanto poemas em versos livres, concretos, quanto o soneto, uma forma literária que o poeta, também, gosta muito; “um mecanismo retórico que acarreta estrofes, metros e rimas” (PAZ, 1982, p.16 ) a exemplo do poema “Concepção”, no qual o eu-lírico versa sobre o seu processo criativo, narrando como ele ocorre, de forma natural, espontânea, harmoniosa e estruturada.

Concepção

Eu já concebo o verso assim metrificado
Como arquiteto que planeja um edifício
Na exatidão do prumo reto e equilibrado
Sem perguntar se isto é fácil ou é difícil!

Eu já concebo a rima assim – intercalada,
Numa urdidura trabalhosa e singular –
Puxando o fio de cada sílaba marcada
Pelo tecido de uma métrica “sem para”!

Eu já concebo o meu soneto alexandrino
(como a matriz de uma equação vetorial)
Fazendo o cálculo semântico e verbal,

Com meu compasso atrapalhado de menino!
Eu já concebo o meu poema ornamental
Como operário que dá forma ao que é divino!
(PILIGRA, s.d, s.p)

Nesse poema, ao falar do seu processo de criação poética, o sujeito lírico admite que faz verso “assim…”, “sem perguntar se isso é fácil ou é difícil”, ou seja, naturalmente, com a competência de quem brinca com as palavras.
Em 2009, Piligra publicou alguns dos seus poemas inéditos, dentre eles “Concepção”, o qual dedicou a nós: Graciete, Bárbara e Elisandra. Esse e outros dos seus poemas são parte da obra “Diálogos – Panorama da nova poesia grapiúna”, organizada por Gustavo Felicíssimo, cujo projeto gráfico é de George Pellegrini e a edição é uma parceria entre a Editus e a Via Litterarum.
Diversidade é uma palavra que define bem a poética piligrina. Autor de lindos haikais, constitutivos da obra intitulada: “Quatro estações – Uai! Quais?”, de Poética de uma linguagem inculta, obra constituída de setenta e um poemas, todos relativos a língua, linguagem, variantes lingüísticas, recursos lingüísticos, gramática, palavras, sinais gráficos, bem como, ao fazer poético, a luta do poeta com as palavras, o seu processo de concepção de poemas; dentre tantos outros textos incríveis, conhecidos pelos amigos e estudantes pesquisadores, interessados em poemas, mas ainda não publicados. Publicou Fractais em 2006 no qual já pontuava seu jeito irreverente de fazer poesia/poema.

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