Medidas para que o país possa enfrentar o ebola são discutidas na Fiocruz

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Um dia depois do anúncio de um caso de ebola diagnosticado em um cidadão americano nos Estados Unidos, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) promoveu um debate sobre a doença e como enfrenta-la. Participaram do debate alunos e especialistas da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp), em Manguinhos, zona norte do Rio de Janeiro. Os palestrantes disseram que é remota a possibilidade de um surto no Brasil, mas listaram medidas a ser adotadas para que o país não se surpreenda com casos da doença.

O epidemiologista da Fiocruz José Cerbino Neto ressaltou a importância de se prever procedimentos de segurança e protocolos antes de um eventual caso a fim de diminuir as chances de o vírus se espalhar. Ele apontou também a necessidade da capacitação de profissionais de saúde para evitar o erro ocorrido nos Estados Unidos.

Lá, o hospital que atendeu o paciente infectado o liberou após exame, apesar dos sintomas e do fato dele ter chegado da Libéria, país com registro de epidemia de ebola, dias antes. “Ele deveria ter sido isolado, mas acabou passando alguns dias sintomático podendo ter transmitido a doença para outras pessoas”, disse Cerbino.

O superintendente de Fiscalização Controle e Monitoramento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Eduardo Hage Carmo, apresentou as ações do Ministério da Saúde para eventuais casos da doença no país. “Um grupo executivo interministerial está tendo reuniões semanais, e foi criado um plano de contingência”, disse ao lembrar que também foram feitos até agora dois simulados para testar o plano.

Hage informou ainda que o governo já definiu que, no caso de um brasileiro ser infectado no exterior, ele será repatriado, mas os meios de transporte ainda estão sendo discutidos. O governo também estuda outras medidas, como a forma de remoção de corpos.

O pesquisador da Ensp Sergio Rego fez reflexões éticas a cerca da doença, como o uso de medicamentos ainda não testados e a internação compulsória. “Posso me recusar a ficar em quarentena? É aceitável interferir na liberdade de ir vir de alguém? Em que circunstâncias? Precisamos amadurecer essa discussão”, disse. “Além disso, a educação sanitária tem que fazer parte do cotidiano da população. É preciso saber se comunicar com a população para que ela compreenda e incorpore determinadas mudanças de hábito”, ressaltou.

O médico mencionou alguns países em que a falta de informação e de confiança dos cidadãos nas autoridades têm feito com que pacientes com suspeita de ebola evitem hospitais e contribuam para para disseminar a doença.

Mais de 3 mil pessoas já morreram de ebola e mais de 6 mil foram infectados em países do Oeste da África. O tempo de incubação leva de dois a 21 dias. A transmissão ocorre apenas depois do início dos sintomas, que são principalmente cansaço extremo, febre, vômito e dores de cabeça. O vírus do ebola foi descoberto em 1976 e os primeiros casos ocorreram perto do Rio Ébola, na República Democrática do Congo.

Agência Brasil

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