Solenidade da FICC nas festividades do aniversário de Itabuna

Por: Rômulo Macêdo

Aconteceu durante as festividades do aniversário de Itabuna em 2013 um evento por ocasião da reforma e reinauguração da FICC. Na ocasião estiveram presentes Davidson Magalhães, presidente da Bahia Gás, o Prefeito Claudevane Leite e o Vice-Prefeito Wenceslau, o atual presidente da câmara de vereadores de Itabuna, além do diretor da FICC, a comunidade artística e representantes de diversos segmentos da sociedade.

Tivemos a oportunidade de apresentar, em meio à solenidade, nossas reivindicações perante o prefeito e o presidente da câmara, além do diretor da FICC, perante os artistas presentes e interessados pela causa da cultura. Falei após um colega artista que representou a associação de artistas de Itabuna e representei a Associação Grapiúna de Cultura Underground e Esportes Radicais, o Instituto Olga Ribeiro, além de, junto com Ébano, representar os músicos da cidade, conforme a eleição da Conferência Municipal de Cultura.

Ébano, na conferência de cultura, apresentou a proposta da aprovação do 1% do orçamento do município para a cultura pelo legislativo, e ontem tivemos a oportunidade de apresentar formalmente essa proposta aos poderes executivo e legislativo, diante do público presente.

Além disso, em nossa fala, ressaltamos que fala-se muito em investimentos em educação, mas não há educação sem livros, e não há livros sem o escritor…O escritor precisa de condições, recursos e suporte do Estado para realizar seu trabalho, pois como disse ironicamente Raul Seixas: “dois problemas se misturam: a verdade do universo e a prestação que vai vencer” (existe a necessidade de que haja bolsas para escritores e pesquisadores regionais, e artistas e compositores em geral, assim como as do CNPQ, etc., visto que somente o publicar livros ou editar CD’s não é suficiente para um autor ou compositor…).

Ressaltamos também que solicitamos um outro centro cultural, específico para a cultura underground (que abrange heavy metal, punk, entre outros gêneros da contracultura), marginalizada desde a ditadura pelo fato de ser caracterizada pelo protesto, e vista como ameaça por despertar a criticidade nos indivíduos.

Abordamos a questão da importância da reforma da FICC e do evento do aniversário da cidade, com a apresentação de várias bandas e artistas regionais (pois não estava havendo eventos na cidade como Carnaval e S. João, etc., o que é injustificável…), pois é preciso reconhecer tais coisas, todavia, a verba de R$ 400,00 para cada artista e banda ainda é pouca e precisamos de mais recursos, pois somente quem milita na causa da arte, conhece as dificuldades do fazer artístico.

Chamamos a atenção para o fato de que o município precisa apoiar eventos como o último festival que realizamos no Colégio Médici no mês da consciência negra, no qual foram trabalhados e apresentados (música e dança) cerca de 13 ritmos musicais de origem africana.

Por fim, ressaltamos sobre a necessidade de um memorial para a Prof.ª Olga Ribeiro e seus manuscritos e biblioteca remanescente. A maestrina foi aluna do maestro Villa-Lobos, maior compositor da história das Américas, e viveu e lecionou nos últimos anos de sua vida em Itabuna. Ainda há muitas outras questões a abordar, mas por conta da brevidade do tempo, nos restringimos a essas na ocasião. Posteriormente ainda outras pautas concernentes à cultura no município serão apresentadas ao poder público pela Associação Grapiúna de Cultura Underground, pelo Comando Popular de Itabuna, pelo Instituto Olga Ribeiro, pelos músicos e pela comunidade artística em geral, além de todos aqueles que se engajam na importante causa da cultura.

Rômulo Macêdo é escritor, professor, músico e discente da pós-graduação em história do Brasil da UESC, trabalhando a questão da história da música no Brasil.

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